Fim de semana na natureza: Casa da Ventozella

Casa da Ventozella - natureza

Este artigo não é tanto sobre um roteiro, uma paragem ou localidade. A objectivo deste fim de semana de Abril (há uma semana atrás) foi, ao fim de tantos meses a fazer 5, 6 quilómetros diários, com tantas limitações que nos afectaram a todos, desligar da realidade habitual, do quotidiano restrito dos últimos meses, do trabalho que tem sido intensíssimo, e saborear momentos de tranquilidade, quietude, junto da natureza. Então, por isso, não fui em modo “papa quilómetros”, como é habitual. Escolhi uma paragem bastante próxima de casa e, mais do que uma geografia, escolhi pelo alojamento e pelo que me podia proporcionar. Foi assim que fui parar a Vila Cova, pequena freguesia de Penafiel a cerca de 50 quilómetros do Porto, especificamente à Casa da Ventozella, numa sexta-feira, para um fim de semana prolongado.

Uma vez que o check-in era apenas depois das 15h, saí de casa já depois de almoço e fui direta ao alojamento. A ideia era mesmo pousar a mala o quanto antes e aproveitar o sol que brilhava, junto à piscina. À chegada fui recebida pela Cláudia, proprietária e gestora da Casa da Ventozella que desde logo se mostrou altamente disponível e amável.

O quarto limpo, arrumado e espaçoso, mais do que suficiente para uma pessoa. A Cláudia fez um tour à casa belissimamente recuperada e cuidada, conjugando os padrões de conforto actuais com características de uma casa senhorial do século dezoito.

Na casa da Ventozella os hóspedes podem usufruir de uma sala de jogos comum, uma sala de estar com TV, uma cozinha partilhada onde a todo o tempo é possível tirar um café ou fazer um chá e Wi-fi.

No exterior, uma palheiro em pedra, uma piscina com uma bela vista rodeada de um jardim cuidado, espreguiçadeiras, o relaxante som da água a cair no tanque a escassos metros.

Feitas as apresentações, era altura de aproveitar o sol e o silêncio apenas interrompido pelo chilrear dos pássaros.

Ao fim do dia, antes do jantar, resolvi dar um salto à praia fluvial de Luzim, já indicada por amigos e que ficava a apenas escassos minutos da Casa da Ventozella. A tomar café no centro de Abragão, questionei sobre o melhor caminho e logo uma funcionária me informou que existiam dois, um mais “atalho” e outro com melhores condições. Usei o GPS e facilmente dei com o sítio.

De salientar que em toda esta zona entre os vales do Sousa e Tâmega, existe um importante património arquitectónico de origem românica que compõe a chamada Rota do Românico, daí que há diversas indicações ao longo de todo o caminho de monumentos a visitar.

Em Luzim, caía já a noite quando cheguei e a beleza natural do local acentuava-se com as cores do crepúsculo.

Praia Fluvial de Luzim

Reinava o silêncio. Existe um bar de apoio que não visitei mas estava aberto. Após uns minutos de contemplação e o devido registo fotográfico, eram horas do jantar que estava marcado para as 20h15 no restaurante Rocha, por sugestão da Cláudia. O restaurante fica em Abragão, a pouco mais de 4 quilómetros da praia de Luzim. Por ser sexta feira, foi possível jantar na esplanada.

A noite estava agradável, corria apenas uma ligeira brisa. A esplanada estava agradavelmente iluminada. O serviço muito próximo, como seria de esperar, muito simpático. Optei por um bacalhau assado na brasa com grelos e batata à murro. A fome não era muita pelo que não pedi entradas, provei apenas o pão de passas que chegou quentinho com um pouco de azeite Esporão. A acompanhar, um copo de vinho verde branco da casa, típico da região.

Jantar no Restaurante Rocha

No final do jantar, recolhi ao quarto para um belo banho de imersão e para dedicar algum tempo a pôr a leitura em dia.

No dia seguinte, por força do hábito, acordei cedo, mais do que gostaria. Ainda fazia um pouco de frio mas o sol brilhava já, fazendo adivinhar mais um dia agradável de sol. Havia combinado o pequeno-almoço pelas 9h30 e, por essa hora, dirigi-me à sala comum. Já cheirava a café!

A mesa, grande e solitária, apresentava já o pão fresco, as compotas caseiras, o bolo. Tive o prazer de usufruir da primeira refeição do dia neste registo de sossego!

Casa da Ventozella - pequeno almoço

Como a brisa corria ainda bastante fresca, aproveitei a ir até ao Sameiro em Penafiel na expectativa de tomar um café numa qualquer esplanada, aguardando que o sol se tornasse mais amistoso. Não havia apetite ainda para almoçar pelo que optei apenas por uma fruta. Uma vez que o objectivo era somente descansar, pelas 14h regressi ao alojamento. Já estava bem quentinho, perfeito para mais umas horas de sol, leitura, piscina, cochilo, mais leitura, mais cochilo.

Casa da Ventozella - vista e leitura

Horas mais tarde, sendo sábado e não havendo possibilidade de jantar num restaurante pelas medidas ainda vigentes, dirigi-me à Tasquinha d´Avó em Abragão para buscar uma carne grelhada. Um apontamento à simpatia com que fui recebida. De volta à Ventozella, mais uma vez a disponibilidade da Cláudia em garantir que tinha tudo o que precisava para a refeição. A meia dose dava à vontade para duas pessoas a comerem muito bem. A carne grelhada estava muito bem temperada mas o vencedor foi o arroz de forno, hiper saboroso!

Após este repasto e com tantas horas de sol, após uma breve leitura, seguiu-se uma noite de sono ainda mais descansada que a anterior (a primeira noite num sítio novo é sempre mais incerta!).

E assim chegou o Domingo, tão rápido! Tendo sido informada que não havia a necessidade de preparar o quarto para novos hóspedes, e uma vez que a manhã estava mais uma vez fresca de mais para usufruir do sol, aproveitei a ir conhecer outra praia fluvial, desta vez a de Boelhe. 

Vista à chegada da praia fluvial de Boelhe

Com o apoio do GPS, facilmente cheguei. Estão a ser feitos alguns trabalhos no acesso mais próximo à praia que muito possivelmente estarão concluídos até ao verão. Creio tratar-se de um alargamento de uma via de modo a facilitar o trânsito que se faz nos dois sentidos.

Para caminhar um pouco, deixei o carro ligeiramente acima do acesso à praia. Pelo caminho, passei pela igreja românica dos Passinhos. A capela encontra-se fechada. Curioso a pia baptismal no exterior junto à porta principal e um pelourinho quase encostado a ela, no seu lado esquerdo.

O espaço de lazer adjacente à praia tem zonas relvadas, churrasqueiras e mesas cobertas com palhotas onde é possível fazer uma refeição à sombra. O espaço conta também com chuveiros, casas de banho e creio que um bar de apoio que estaria fechado, provavelmente a abrir aquando da época balnear.

Uma palavra ainda para o baloiço Sentir, uma aposta da Câmara de Penafiel para trazer mais turistas à zona uma vez que os baloiços turísticos têm mostrado ser uma tendência crescente e alvo de procura por muitos. Feito o reconhecimento do local, voltei à Ventozella para mais umas horas de leitura e sol, até pegar novamente na mala e retornar a casa.

Passaram assim 3 dias quase que a correr, em absoluta entrega ao silêncio, ao sol e à natureza.

“Os que não sabem ficar consigo mesmos estão sempre aborrecidos.” (Charles-Joseph Ligne)

 

 

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