Senhor de Matosinhos

O Senhor de Matosinhos, pela primeira vez em 700 anos, não vai acontecer. Este ano, devido à pandemia, a romaria não acontece, para tristeza dos Matosinhenses.

As festas em honra do Senhor de Matosinhos são das mais antigas e importantes romarias religiosas em Portugal e trazem uns simpáticos milhares de pessoas à cidade, vindas um pouco por todo o país.

Outrora, esta festa tinha como finalidade a devoção à imagem do Bom Jesus de Matosinhos, que, segundo a lenda, teria a capacidade de fazer curas milagrosas. Hoje, esta romaria assume as facetas religiosa e popular. As festas prolongam-se por cerca de três semanas, entre maio e junho, culminando com o feriado municipal que ocorre à terça-feira posterior ao Domingo de Pentecostes.

Não faço ideia de onde surgiu a já tradição das “farturas com Sumol de ananás” mas a família – e na verdade muitos amigos da minha geração – apostam nesta combinação que a todos traz um pouco memórias da infância.

´farturas e sumol de ananás no senhor de matosinhos

Há quem prefira o pão com chouriço e o caldo verde ou até mesmo as sardinhas. Essas prefiro ir comê-las mais à zona da lota.

Como não poderia deixar de ser, não faltam no Senhor de Matosinhos as diversões. Pessoalmente, gosto sempre de ir jogar umas partidas de matrecos para no dia a seguir andar com dores nos ombros e nos pulsos. Já lá vai o tempo em que arriscava nos carrinhos de choque (vulgo “Trolleys”, muito comum ouvir dizer-se por cá) e outras maluqueiras.

Barracas das louças são ainda bastantes e nos últimos anos vulgarizou-se a vinda de barraquinhas de comida e bebida típicas de outras regiões. Muitas outras podem ainda encontrar-se, essencialmente artesanato, mas também artigos de decoração, doçaria, entre outros.
Uma palavra para a tômbola do Padre Grilo, que faz parte das memórias de todos nós também. Nos últimos anos apareceram outras tômbolas e vendas de diversas associações mas esta é “da praxe”.

Não esquecendo a componente “mais” religiosa, vale a pena ir visitar a igreja matriz. Durante os dias da festa, formam-se filas de pessoas que entram só para ver o espectáculo das flores que se tornou, esse sim, um dos principais pontos de atracção de quem vai à festa. Os imponentes altares vestem-de de alto a baixo de coordenados de flores das mais diversas cores e feitios.

Não é possível terminar este artigo sem mencionar o fogo de artifício – ou agora, mais moderno “espectáculo piromusical” – que diria que compete nos últimos anos com o fogo do S. João e não lhe fica nada atrás (suspeita que sou!). O fogo é normalmente num Sábado pelas 24h.

Na tarde do feriado (que calha sempre a uma Terça-feira) há também o fogo de bonecos ou fogo preso como se dizia antigamente. Adorava ver isto quando era miúda! Hoje penso que andar à roda e à roda até rebentar a cabeça é algo que acontece muito frequentemente nas nossas vidas “normais”.

Acredito que a descrição desta festa por alguém que sempre a viveu possa até ser redutora, na medida em que é algo “normal” para um Matosinhense. No entanto, para quem vem de fora, irá ter certamente a visão da sua grandiosidade.

Sobre a lenda e sobre o templo há muito mais a contar mas fica para agora fica apenas um “cheirinho” desta comemoração da cidade de Matosinhos e a pena que fica este ano por não podermos ir fazer o gosto ao dente.

mesa de matrecos no senhor de matosinhosdiversões no senhor de matosinhoscarrosséis no senhor de matosinhos

 

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